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quarta-feira, 27 de abril de 2011

O seu a seu dono

09 Março 2011
Geração à Rasca - A Nossa Culpa
Um dia, isto tinha de acontecer.
Existe uma geração à rasca?
Existe mais do que uma! Certamente!
Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.
Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.

Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.

Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.

São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!

A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.

Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.

Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.

E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!

Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.
Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam. Haverá mais triste prova do nosso falhanço?
Pode ser que tudo isto não passe de alarmismo, de um exagero meu, de uma generalização injusta.
Pode ser que nada/ninguém seja assim.




Recebi este texto por e-mail, através de mão amiga que, conhecendo a minha opinião sobre o assunto, sabia previamente que o seu teor provocar-me-ia um sorriso de orelha a orelha. Acontece que já tinha lido esta bela prosa no blogue da autora. "Assobio Rebelde" é o seu nome e Maria dos Anjos a pessoa que por lá assobia. Qual não é o meu espanto, quando verifico no e-mail que esta clarividente missiva era atribuída ao escritor Mia Couto... não é certo, o seu a seu dono.


domingo, 13 de março de 2011

Eu estive lá!


Adenda: Felizmente enganei-me, não houve incidentes durante o protesto.

terça-feira, 8 de março de 2011

12 de Março

Depois do sucesso que o tema "parva que eu sou" dos Deolinda teve nos coliseus do Porto e Lisboa, surgiu um movimento no facebook a agendar uma manifestação para a Avenida da Liberdade para o próximo dia 12 de Março.

Manifesto
Nós, desempregados, “quinhentoseuristas” e outros mal remunerados, escravos disfarçados, subcontratados, contratados a prazo, falsos trabalhadores independentes, trabalhadores intermitentes, estagiários, bolseiros, trabalhadores-estudantes, estudantes, mães, pais e filhos de Portugal.

Nós, que até agora compactuámos com esta condição, estamos aqui, hoje, para dar o nosso contributo no sentido de desencadear uma mudança qualitativa do país. Estamos aqui, hoje, porque não podemos continuar a aceitar a situação precária para a qual fomos arrastados. Estamos aqui, hoje, porque nos esforçamos diariamente para merecer um futuro digno, com estabilidade e segurança em todas as áreas da nossa vida.

Protestamos para que todos os responsáveis pela nossa actual situação de incerteza – políticos, empregadores e nós mesmos – actuem em conjunto para uma alteração rápida desta realidade, que se tornou insustentável.

Caso contrário:

a) Defrauda-se o presente, por não termos a oportunidade de concretizar o nosso potencial, bloqueando a melhoria das condições económicas e sociais do país. Desperdiçam-se as aspirações de toda uma geração, que não pode prosperar.

b) Insulta-se o passado, porque as gerações anteriores trabalharam pelo nosso acesso à educação, pela nossa segurança, pelos nossos direitos laborais e pela nossa liberdade. Desperdiçam-se décadas de esforço, investimento e dedicação.

c) Hipoteca-se o futuro, que se vislumbra sem educação de qualidade para todos e sem reformas justas para aqueles que trabalham toda a vida. Desperdiçam-se os recursos e competências que poderiam levar o país ao sucesso económico.

Somos a geração com o maior nível de formação na história do país. Por isso, não nos deixamos abater pelo cansaço, nem pela frustração, nem pela falta de perspectivas. Acreditamos que temos os recursos e as ferramentas para dar um futuro melhor a nós mesmos e a Portugal.

Não protestamos contra as outras gerações. Apenas não estamos, nem queremos estar à espera que os problemas se resolvam. Protestamos por uma solução e queremos ser parte dela.

Este é o manifesto do evento, tratando desde logo os organizadores de referir tratar-se de uma iniciativa laica, apartidária e pacifica... isto foi o que foi dito, na pratica logo nos dias seguintes, os deputados do Bloco de Esquerda no parlamento tentaram o aproveitamento politico da manifestação, ao que se seguiram os deputados do Partido Comunista e todas as organizações canhotas de norte a sul do país.

Confrontado com a possibilidade de poder vir a engrossar os números de uma manifestação
vermelha, entrei em contacto via e-mail com a organização.


vasco dionisio para geracaoarasca
Boa tarde,
Sou um "jovem" de 35 anos, casado, com 2 filhos, que acima de tudo acredita em Portugal e nos portugueses.
Sou católico não praticante, patriota por convicção e nacionalista por opção.
Ideologicamente de direita, nunca estive filiado em qualquer partido ou movimento politico. Acredito que os partidos com assento parlamentar serão sempre parte do problema e nunca parte da solução.
Gostava de saber se o meu perfil encaixa de alguma forma nos participantes da próxima manifestação do dia 12 de Março. Coloco a questão porque tem havido um claro e nítido aproveitamento por parte de forças de extrema esquerda da vossa iniciativa.

Atenciosamente,
Vasco Dionísio


passado uns dias veio a resposta...

Geração À Rasca para mim
Boa tarde,
Este Protesto é apartidário, pelo que está aberto a todos os quadrantes políticos, independentemente das escolhas pessoais de cada um. É laico, porque não tem nenhuma conotação religiosa, embora não seja anti-religiosos. E é pacífico, porque a violência não é a solução, podemos ser pacíficos sem sermos passivos.
Apesar disto, não somos ingénuos, e sabemos que podem existir pessoas que tentem colar-se ao Protesto, porém enquanto promotor do mesmo garanto que não estamos associados a nenhuma força política. Queremos alertar para o problema da precariedade, e esse problema não é de esquerda ou de direita, não é ou cristão ou ateu, não é benfiquista ou sportinguista, etc… é transversal à sociedade. Assim, renunciamos a qualquer associação com associações político-partidárias ou ideológicas. Pelo que quem aceitar, os princípios e concordar com o Manifesto é sempre bem-vindo.

Com os melhores cumprimentos,
António Frazão

Dúvidas dissipadas, confirmei a minha presença.

Passados uns dias, tomei conhecimento que Bloco de Esquerda e Partido Comunista vão enviar representantes à manifestação... bem se eles vão eu não vou! pensei eu, era o que mais faltava participar num protesto ao lado de alguns responsáveis pelo actual estado da Nação!

Mais um par de dias e verifico que no facebook surge uma pagina criada por nacionalistas a convocar um encontro nos Restauradores para dia 12 às 15:00 !!!

Nacionalistas, anarquistas, comunistas, manifestando-se no mesmo espaço físico rodeados por milhares de pessoas revoltadas com a actual situação sócio-económica portuguesa... não auguro nada de bom.

No seu melhor !!!








O vídeo mostra tudo, jovens descontentes pertencentes ao movimento "geração à rasca", tentaram mostrar o sua revolta de forma pacifica num jantar de xuxialistas em Viseu, onde pinócrates discursava.
A reacção dos seguranças não se fez esperar e de forma célere os descontentes foram postos na rua.
No entanto, o que mais se evidenciou na reportagem foram as declarações do líder rosa. O ar de gozo pleno de cinismo com que convidava os indesejados a ficar para jantar, enquanto estes eram escorraçados da sala. O ar hipócrita com que classificava a atitude dos jovens de brincadeira de Carnaval e o desdém que demonstrou perante as reinvidicações dos mesmos...
Sábado sr. primeiro ministro, contrate mais seguranças.