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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Pergunta pertinente...

No semanário "o Diabo" desta semana, o Tenente Coronel Brandão Ferreira escreveu um artigo de opinião, onde aflora uma questão fulcral, mas quase sempre omitida, acerca do carácter das Forças Armadas Portuguesas.

O artigo começa por enunciar os sucessivos cortes no orçamento das FA, dos ataques constantes de que tem sido vitima, perpetuados por alguns sectores da sociedade portuguesa e das dificuldades gerais que tem assolado esta instituição nacional. Tudo isto não é novo. São assuntos que este senhor, já abordou em artigos de opinião e cronicas anteriores.
O que é novo e igualmente de salutar, é o discurso que faltou e a insinuação final que este grande português nos deixa ao terminar o artigo.
Como não tenho talento nem dotes para jogos de palavras, coloco a questão pertinente de forma directa.

Perante a presente situação que vivemos, como explicar a passividade daqueles que juraram defender a Pátria, servir Portugal e as Forças Armadas "mesmo com o sacrifício da própria vida"?

domingo, 15 de agosto de 2010

Portas trancadas 3




Cerimonia de lançamento do NRP Trident um dos dois submarinos que vêm substituir os da classe “Albacora”, já em fim de vida.


Fica desta forma assegurada a continuidade do ramo dos submarinos na Armada Portuguesa.
Parabéns à Marinha que desta forma fica com outros meios para assegurar o patrulhamento da área sob jurisdição das 200 milhas correspondente à actual zona económica exclusiva.

Até aqui tudo é de louvar, passemos ao assunto que dá titulo à mensagem.
Em Abril de 2004 o Ministro da Defesa, Paulo Portas encomenda a um consórcio alemão a produção de 2 submarinos. Topo de gama, com todos os sistemas e acessórios que uma encomenda de 900 milhões de euros tem direito. Seriam os maiores submarinos a ser produzidos na Alemanha até à data.

Em Outubro de 2009, foram constituídos 10 arguidos por burla qualificada e falsificação de documentos. Este processo, conhecido por caso das contrapartidas, terá lesado o Estado Português em 33,9 milhões de euros.

No mesmo mês ficou-se a saber que está em fase de investigação outro processo por corrupção e branqueamento de capitais. A base deste processo baseia-se em escutas telefónicas entre Abel Pinheiro, ex-tesoureiro do CDS/PP e Paulo Portas, realizadas por altura do caso Portucale (já lá vamos). O Ministério Publico aguarda ainda que documentos relativos à compra sejam enviados pela seu congénere alemão, uma vez que parte dos documentos que estavam em Portugal desapareceram... juntamente com 30 milhões de euros, que terão hipoteticamente financiado o partido Popular.

Na Alemanha a justiça também investiga o caso, tendo dado ordem de prisão a um vice-presidente da Ferostaal. É a diferença entre a justiça alemã e portuguesa, aqui ficam com termo identidade e residência na Alemanha põem-nos à sombra.
Pelo meio ainda existe um cônsul honorário português e um contra-almirante que terão recebido 1,6 e 1 milhão de euros respectivamente.

A Escom, empresa do Grupo Espírito Santo, recebeu 21 milhões de euros em comissões por ter definido o contrato de contrapartidas relativo à compra dos submarinos.
Em Abril de 2010 80% dessas mesmas contrapartidas estavam por realizar, penalizando a economia portuguesa em 2,2 mil milhões de euros. PS e PSD recusaram a criação de uma comissão de inquérito no intuito de investigar o incumprimento das contrapartidas.

O financiamento da compra esteve a cargo de um consórcio bancário onde também figurava... o Banco Espírito Santo. Ou seja, os bancos pagaram à empresa alemã e agora Estado português paga aos bancos. O que não se consegue compreender é como é que depois de o contrato ter sido adjudicado, o spred do empréstimo passou de 1,9 para 2,4...
E mais haveria para contar se esmiuçasse-mos pormenores.

Portas trancadas 2

No dia 23 de Dezembro de 2005, Paulo Portas anunciou os vencedores do concurso de privatização da OGMA industrias aeronáutica SA. O feliz contemplado foi o consórcio Airholding (70% brasileiro, 30% espanhol), pagando por 65% da empresa 11,4 milhões de euros. O Estado português ficou na posse de 35% da empresa fundada em 1918.
Apenas um pequeno parágrafo acerca da OGMA.
Empresa altamente conceituada e especializada em manutenção aeronáutica. Até 1952 concentrou-se na produção e manutenção de alguns pequenos aparelhos, até que em 1955 consegue um contrato de manutenção com a US Navy (Marinha de Guerra Americana). Em 1959 o contracto estende-se à USAF (Força Aérea Americana). Em 1962 à GAF ( Força Aérea Alemã). Em 1970 acrescenta contractos de manutenção com a Eurocopter. A partir da revolução dos cravos acumula um passivo de 135 milhões de euros. Coincidências.
A OGMA apresentou um lucro de 12,2 milhões de euros em 2009. Se a administração decidir distribuir os lucros pelos accionistas, ao Estado Português cabe 35% do "bolo".
Resumindo, a OGMA deu praticamente de lucro em 2009 (um único ano), aquilo que a Airholding pagou a Portugal para ficar com a empresa. Mais um bom negocio, que atesta de sobremaneira a qualidade dos nossos gestores públicos.

Portas trancadas 1

A submetralhadora ou se preferirem a pistola-metralhadora Lusa foi um projecto desenvolvido pela Industria Nacional de Defesa EP, com vista a substituir as antigas FBP.
O projecto custou 15 milhões de euros e em Novembro de 1987 foi apresentada ao publico na I Exposição Internacional de Defesa, realizada em Alcochete.

Em traços gerais: uma arma de calibre 9x19mm, que reúne o melhor dos dois modelos de referência no sector, a alemã H&K e a Uzi israelita. Ideal para forças policiais e tropas de elite, esta arma é considerada pela imprensa especializada a melhor, tendo em conta o binómio preço/ qualidade.

Nunca entrou em produção.

Em 2004, era ministro da Defesa Paulo Portas, O governo português vendeu todo o projecto, incluindo a maquinaria de produção, a um grupo de empresários norte-americanos pelo preço de 40 000 €. Quarenta mil euros...
Apenas 2 exemplares ficaram em Portugal na sede da Policia Judiciária.

Para as forças policiais e militares portuguesas, Portas adquiriu 10 000 unidades chilenas pelo preço de 1 100€ a unidade. O valor unitário dos "chavecos" no mercado negro não ultrapassava os 400€. O concurso incluía uma proposta de 1 250€ a unidade, dos alemães H&K com o modelo G-36, uma autentica arma de elite.

Entretanto os empresários norte-americanos fundaram a Lusa USA uma empresa para a produção da arma desenvolvida pela INDEP. É um autentico sucesso de vendas.

Das duas uma, ou Paulo Portas é corrupto ou incompetente e em qualquer dos casos deve ser julgado por isso.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Uma manhã diferente


Chegou ontem ao Porto de Lisboa uma Esquadra de Treino Japonesa composta por 3 navios, o Kashima (TV 3508), o Yamagiri (TV 3515) e o Sawayuki (DD 125).

Esta esquadra chega para as comemorações do 150º aniversário do Tratado de Paz, Amizade e Comercio celebrado entre Portugal e o Japão.

Os dois navios aqui ao lado (Yamagiri e Sawayuki), estiveram abertos ao publico durante o dia de hoje, proporcionando aos interessados uma boa oportunidade para um dia diferente.

O Kashima (em Baixo) completa o trio, que tem como missão uma viagem à volta do mundo, com vista à formação de 190 cadetes, os futuros oficiais da Força de Auto-defesa da marinha japonesa.
Recordo que ainda hoje as Forças Armadas Japonesas sofrem restrições impostas pelos aliados no fim da II Guerra Mundial.
Um obrigado ao blog Reverentia que me deu a conhecer este evento.
Por lapso a data que aparece nestas e em anteriores fotografias não é a correcta, as minhas desculpas.


quarta-feira, 16 de junho de 2010

Uma vergonha

Recebi esta carta de mão amiga à já alguns meses. Pesquisei na Internet e encontrei uma pagina onde está acessível a qualquer pessoa. Suponho que seja uma carta aberta. Devido à importância do seu conteúdo, tomei a liberdade de a publicar.

UMA VERGONHA
1.
Especialistas ingleses e norte-americanos estudaram comparativamente o esforço das Nações envolvidas em vários conflitos em simultâneo, principalmente no que respeita à gestão desses mesmos conflitos, nos campos da logística geral, do pessoal, das economias que os suportam e dos resultados obtidos.
Assim, chegaram à conclusão que em todo o Mundo só havia 2 Países que mantiveram 3 Teatros de Operações em simultâneo: a poderosa Grã-Bretanha, com frentes na Malásia ( a 9.300 Kms de 1948 a 1960), no Quénia ( a 5.700 Kms de 1952 a 1956), e em Chipre ( a 3.000 Kms de 1954 a t959), e o pequenino Portugal, com frentes na Guiné (a 3.400 Kms}, Angola (a 7.300 Kms) e Moçambique (a 10.300 Kms ) de 1961 a 1974 (13 anos seguidos}. Estes especialistas chegaram à conclusão que Portugal, dadas as premissas económicas, as dificuldades logísticas para abastecer as 3 frentes, bem como a sua distancia, a vastidão dos territórios em causa, e a enormidade das suas fronteiras, foi aquele que melhores resultados obteve.
Consideraram por ultimo, que as performances obtidas por Portugal, se devem sobretudo ã capacidade de adaptação e sofrimento dos seus recursos humanos, e à sobrecarga que foi possível exigir a um grupo1 reduzido de quadros dos 3 Ramos das Forças Armadas, comissão atrás de comissão, com intervalos exíguos de recuperação física e psicológica. Isto são observadores internacionais a afirmá-lo.
Conheci em Lisboa oficiais americanos com duas comissões no Vietname. Só que ambos com 3 meses em cada comissão, intervalados por períodos de descanso de outros 3meses no Hawaii.
Todos os que serviram a Pátria e principalmente as gerações de Oficiais, Sargentos e Praças dos 3 Ramos das Forças Armadas que serviram durante 13 anos na Guerra do Ultramar, nos 3 Teatros de Operações, só pelo facto de aguentarem este esforço sobre humano que se reflecte necessariamente em debilidades de saúde precoces, mazelas para toda a vida, invalidez total ou parcial, e morte, tudo ao serviço da Pátria, merecem o reconhecimento da Nação, que jamais lhes foi dado.
2.
Em todo o Mundo civilizado, e não só, em Países Ricos, cidadãos protagonistas dos grandes conflitos e catástrofes com eles relacionados, vencedores ou vencidos, receberam e recebem por parte dos seus Governos tratamentos diferenciados do comum dos cidadãos , sobretudo nos capítulos sociais da assistência na doença , na educação , na velhice , e na morte, como preito de homenagem da Nação àqueles que lutaram pela Pátria, com exposição da própria vida.
Todos os que vestiram a farda da Grã-Bretanha, França, Rússia, Alemanha, Itália e Japão têm tratamento diferenciado. Idem para a Polónia e Europa de Leste, bem como para os Brasileiros que constituíram o Corpo Expedicionário destacado na Europa.
Idem para os Malaios, Australianos, Filipinos. Neo-Zelandeses e soldados profissionais Indianos.
Nos EUA a sua poderosíssima "Veterans War " não depende de nenhum Secretário de Estado, nem do Congresso, depende directamente do Presidente dos EUA , com quem despacha quinzenalmente. Esta prerrogativa referendada por toda uma Nação, permite que todos aqueles que deram a vida pela Pátria repousem em cemitérios espalhados por todo o Mundo , duma grandiosidade , beleza e arranjo ímpares, ou todos aqueles que a serviram , tenham assistência médica e medicamentosa para eles e família, condições especiais de acesso às Universidades, bolsas de estudo, e outros benefícios sociais durante toda a vida.
Esta excepção que o povo americano concedeu a este tipo de cidadãos é motivo de orgulho de todos os americanos.
O tratamento privilegiado que todo o Mundo concedeu aos cidadãos que serviram a Pátria em combates onde a mesma esteve representada , é sufragado por leis normalmente votadas por unanimidade.
Também os civis que ficaram sujeitos aos bombardeamentos, quer em Inglaterra, quer em Dresden, quer em Hiroshima e Nagasaki, têm tratamento diferenciado.
Conheço de perto o Irão. Até o Irão dá tratamento autónomo e especifico aos cidadãos que combateram na recente Guerra Irão-Iraque, onde morreram 1 milhão de iranianos.
Até Países da África terceiro mundista e subdesenvolvida como o Quénia, atribuiu aos ex-maus-maus , esquemas de protecção social diferentes dos outros cidadãos.
Em todo o Mundo menos em Portugal.
No meu País, os Talhões de Combatentes dos vários cemitérios, estão abandonados, as centenas de cemitérios espalhados pela Guiné , Angola , Moçambique , índia e Timor, abandonados estão, quando não, profanados. É simplesmente confrangedor ver o estado de degradação onde se chegou. Parece que a única coisa que está apresentável é o monumento do Bom Sucesso-Torre de Belém, possivelmente porque está à vista e porque é limpo urna vez por ano para a cerimónia publica que lá se realiza. Até grande parte dos monumentos municipais aos Mortos da Guerra do Ultramar vão ficando abandonados.
No meu Pais, a pouco e pouco, foi-se retirando a dignidade devida aos que combateram pela Pátria, abandonando os seus mortos , e retirando as poucas" migalhas" que ainda tinham diferentes do comum dos cidadãos a assistência médica e medicamentosa ,para ele e cônjuge, alinhando-os "devidamente" por baixo.
ATÉ NISTO CONSEGUIMOS SER DIFERENTES DE TODOS OS OUTROS.
No meu Pais, os políticos confundem dum modo ignorante ou acintoso, militares com policias e funcionários públicos ( sem desprimor para as profissões de polícias e funcionários públicos, bem entendido}
Por ignorância ou leviandade os políticos permanentemente esquecem que o estatuto dos militares não lhes permite, nem o direito de manifestação, nem de associação sindical além de ser o único que obriga o cidadão a dar a vida pela Pátria.
Até na 1a Republica, onde grassava a indisciplina generalizada, a falta de autoridade, o parlamentarismo balofo, as permanentes dificuldades financeiras e as constantes crises económicas, não foram esquecidos todos aqueles que foram mandados combater pela Pátria na 1a Guerra Mundial (1914-18), decisão política muito difícil, mas patriótica, pois tinha a ver com a defesa estratégica das possessões ultramarinas.
Foram escassos 18 meses o tempo que durou a Guerra para os portugueses, mas todos aqueles que foram mobilizados , e honraram Portugal, tiveram medidas de apoio social suplementares diferentes de todos os outros cidadãos portugueses, alem duma recepção ímpar por todo o Governo da Nação em ambiente de Grande Festividade Nacional.
Naquela altura os políticos portugueses dignificaram a sua função e daqueles que combateram pela Pária.
Foram criados Talhões de Combatentes em vários cemitérios públicos, à custa e manutenção do Estado, foram construídos monumentos grandiosos em memória dos que deram a vida pela Pátria, foi concebido um Panteão Nacional para o Soldado Desconhecido na Sala do Capítulo do Mosteiro da Batalha com Guarda de Honra permanente , 24 sobre 24 horas, foram criadas pensões especiais para os mutilados , doentes e gaseados, focam criadas condições especiais de assistência médica e medicamentosa para os militares e famílias nos Hospitais Militares, numa altura em que ainda não havia assistência social generalizada como há hoje, foi criado um Lar especifico para acolher a terceira idade destes militares em Runa ( é importante relembrar que em 1918 se decidiu receber e tratar os jovens, com 20 anos em 1918 , quando estes tivessem mais de 65 anos de idade), e por ultimo foi criada a Liga dos Combatentes que de certo modo corporizava todo este apoio especial aos combatentes , diferente de todos os outros cidadãos , e era o seu porta-voz junto das instâncias governamentais. Uma espécie de "Veteran's War" à portuguesa.)
Foi toda uma Nação, com os políticos à frente, que deu tudo o que tinha àqueles que combateram pela Pátria ,apesar da situação económica desesperada e de quase bancarrota.
Na altura seguimos naturalmente o exemplo das demais nações.
Agora somos os únicos que não seguem os exemplos generalizados do tratamento diferenciado aos que serviram a Pátria em combate.
É SIMPLESMENTE UMA VERGONHA.
Haveria muito mais para dizer para chamar a atenção deste Ministro da Defesa, e deste Primeiro-Ministro , ambos possivelmente com carências de referências desta índole nos meios onde se costumam movimentar, sobretudo no que respeita à comparação dos vencimentos, regalias e mordomias dos que expuseram ou deram a vida pela Pátria e aqueles, que antes pelo contrário, sempre fugiram a essa obrigação.

Vítor Santos
Coronel Reformado

4 Comissões de Serviço no Ultramar
10 anos de Trópicos
Deficiente das Forças Armadas por doença adquirida e agravada em Campanha
Quase 70 anos de idade
Sem acumulação de cargos
Sem Seguro de Saúde pago pelo Estado ou E.P.
Sem direito a Subsidio de Reinserção
Sem cartão de crédito dourado sem limite de despesas a expensas do Estado
Sem filhos empregados no Estado por conhecimentos pessoais
Sem o direito a reformas precoces de deputada ou autarca
Sem reformas precoces e escandalosas estilo Banco de Portugal ou CGD
Sem contratos que prevêem indemnizações chorudas
Sem direito a ficar com os carros de borla e que o Estado pagou em Leasing
Sem fazer contratos de avenças chorudos como os que se fazem com Gabinetes de advogados e economistas
Sem Pensão de Reforma acima do ordenado do Presidente da Republica
Com Filhos desempregados