Existem várias definições, várias teorias, várias opiniões. Para mim, heroísmo é uma daquelas palavras que apenas tem tradução plena em actos. Eis um belo exemplo: Aproximadamente 400 homens entrincheirados numa cidade de 500 000 habitantes. Pela frente tem um exército profissional altamente equipado e treinado na arte da guerra. Em abissal inferioridade numérica, estes patriotas ucranianos preparam-se para enfrentar regimentos de viaturas blindadas sem armas anticarro, apenas com kalasnikovs e uma vontade de ferro.
Entre eles encontram-se uma dúzia de nacionalistas de outros países. Partilham os mesmos ideais, as mesmas crenças e, o mais belo, é que estão dispostos a dar a vida por eles. Já disseram que não recuam, que não desistem, que preferem a morte à desonra de abandonar o campo de batalha. Abandonados pelo governo, temidos pelo inimigo, carregam os feridos e os moribundos em carrinhas de caixa aberta sob os gritos de "Gloria Ucrânia", num cenário que reduz o mad max a uma imagem pueril.
Começou esta manhã o ataque a
Mariupol. Que os deuses protejam os seus defensores.
Adenda: Neste mundo de merda, apenas as responsabilidades parentais me afastam desta bela cidade banhada pelo
Azov.